Daí que os quatro caras foram de carro até o Acre, passaram cinquenta e cinco dias por lá. Esses quatro são gente boa, amigos que estavam por aí, produzindo comunicação por dinheiro na São Paulo, vendendo horas por conteúdo. Num desses meios de caminho criaram o projeto O Acre Existe, que até aqui já é um longa metragem, um livro e esse site aqui: oacreexiste.com

Encontraram o ímpeto de conhecer a região do Brasil mais distante de suas vidas, física e subjetivamente, tá lá, o Acre. E foram construir seu olhar.

Difícil o papel do correspondente. Relatar um mundo alheio, em larga medida desconhecido, onde é necessário se manter fiel ao rigor de uma narrativa profissa e ao respeito por seus personagens, pela dinâmica local. Digo, não tratar como zoológico.

Portanto, é necessário envolvimento. A literal lama no sapato do repórter, que, se realizada com a técnica certa, também resulta em guias locais espontâneos, fontes que trazem juntos consigo amizade, acomodação solidária, refeições quentes e abertura dos caminhos do mundo.

Um desses guias escreveu isso aqui para os quatro amigos: "Quando a aula era chata e a sala esquentava sem ventilador, eu fugia da escola e ia para a beira do rio tomar banho. Criar máscaras com cascas de melancia, pegar gravetos e desenhar na areia. Quando chovia, perdia meus desenhos na areia que derretia. Ficava horas nessa brincadeira".

Esse cara chama Cícero, e eles conversaram. Se ouviram tanto que, um ano após a viagem, os amigos estrearam Ocicero, um jornal independente que roda em São Paulo e está indo para a terceira edição, saca aqui :facebook.com/ocicero?fref=ts

O ouvir generoso que eles demonstram revelam a cumplicidade pela pauta, carinho pelo que se está falando, e isso encontra eco por aqui. Tanto que a querida Bia, nossa diretora de arte do Espaço Húmus, viajou com os quatro amigos para Rio Branco, capital do Acre. Lá aconteceu o lançamento do longa metragem O Acre Existe, que estreou no Festival Pachamama: Cinema de Fronteira, em nov/13.

O envolvimento dela com o tema rendeu uma viagem e a série Pachamama, que estreamos com este post.

Temos ainda outros dois vídeos no forno: Jabuti-Bumbá, um grupo de dança e música que também é personagem importante do filme, e O Festival, sobre o Pachamama. O primeiro episódio mostra como São Paulo se conectou ao Acre por um filme, o segundo detalha o grupo que é uma das marcas desse filme e o terceiro vai atrás de quem fez todos esses encontros serem possíveis agora, o festival Pachamama.

Os três vídeos foram realizados por Bianca Oliveira, do Húmus, Paulo Silva Junior, Bruno Graziano e Raoni Gruber, todos do O Acre Existe.

Encerramos, então, com mais uma que eles absorveram por lá e hoje está no cartaz do filme: o Acre definitivamente existe, não se sabe se é o começo ou o fim do mundo. Lembre-se dessa marreta de subjetividade na próxima vez que alguém repetir a piada gasta sobre a existência do estado.

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