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UM, NENHUM E CEM MIL

Vitangelo Moscarda, burguês instalado na vida e algo ocioso, vê-se aturdido, devido a uma observação banal da mulher sobre o seu nariz, pela mais terrível das descobertas: nós, que nos julgamos um, somos na realidade tantas pessoas diferentes quantos aqueles que nos observam. Não podemos ver-nos viver (o espelho vai revelar-se um falhanço em toda a linha) e menos ainda agarrar esse elusivo 'eu', que é diferente para todos os que nos vêem. Um pateta para a mulher, um ingénuo incapaz para os administradores do banco de que é dono, e mais que tudo, um usurário desapiedado para os habitantes da sua cidade, Moscarda lança-se na experiência de destruir, um a um, os vários Moscardas que fazem dele. Depois de quase lhe provocar a morte, tal experiência vai fazê-lo perder a família e a riqueza, levando-o finalmente à paz na loucura e no despojamento.

Ficha Artística e Técnica:
Interpretação: Adriana Moniz, Alexandre Ferreira, Francisco Sousa, Miguel Sopas e Pedro Saavedra
Adaptação do texto, encenação e espaço cénico: Mário Redondo
Figurinos: colectivo
Direcção de produção: Maria Luísa Carles
Desenho de luz: Paulo Sabino

FOTOS

flickr.com/photos/45437772@N02/sets/72157622975258840/
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