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12 - 19.03.1997 Cápsula do Tempo. Objetos. Temporada de Projetos do Centro Cultural São Paulo.
Projeto de video-instalação. Câmara escura em forma de U (12x9x3)m com sete retroprojeções videográficas simultâneas, dispostas lado a lado, ao longo do perímetro interno, de dimensões de (3x7x3)m. Imagens de quarenta e nove pessoas, captadas por uma câmara fixa em registro frontal do corpo inteiro são reproduzidas em escala 1:1. Estas imagens formam um acervo de mensagens sonoras e visuais deixadas para o futuro. Após a gravação das mensagens, o material é recolhido em uma cápsula do tempo a ser aberta e apresentada vinte e cinco anos depois. Além do acervo de mensagens, a cápsula contém um manual de instruções para a construção da câmara escura na qual o acervo será apresentado. No CD-ROM anexo apresenta-se parte do piloto deste projeto, contendo cinco mensagens gravadas e a maquete virtual dessa câmara.

Este trabalho trata da memória em seus múltiplos desdobramentos: no tempo, no espaço, como experiência, lembrança e acervo. Trata-se da memória não como função, mas como agente que atua na experiência individual.

Em Cápsula do Tempo II, 1997-2026 [[103]], quarenta e nove pessoas de regiões e idades variadas foram gravadas em vídeo individualmente, cada uma transmitindo sua mensagem para o futuro. Em cada mensagem, a voz foi registrada e o corpo foi o suporte da mensagem. Após a gravação, os vídeos foram guardados por vinte e cinco anos. Este acervo videográfico é composto por sete fitas de vídeo com sete mensagens cada. O acervo revela perspectivas, mentalidades e visões do futuro, sendo que cada mensagem, tomada isoladamente, é marcada pelas singularidades de cada pessoa. Cada um dos convidados elaborou sua mensagem livremente e a apresentou diante de uma câmera fixa, dirigindo seu olhar a ela. A tomada foi frontal e abarcou a altura do corpo e sua largura, considerando-se a extensão dos braços abertos.

Propor a pessoas que registrem uma mensagem para o futuro implica que os participantes e espectadores entrelaçem atual - aqui e agora, e virtual - futuro e registro do passado, memória. O presente é registro para o futuro quando as pessoas gravam suas mensagens. Ao serem guardadas por vinte e cinco anos, as mensagens e seus respectivos suportes, corpos, são encapsulados no tempo. Quando forem lidas no futuro, as mensagens atuais pertencerão ao passado[[104]]. Há, portanto, um entrelaçamento de tempos que se interpenetram e a cápsula do tempo viaja entre estas dimensões, sendo participantes e espectadores convidados a partilhar destes deslocamentos imaginários [[105]]. A própria opção pelo suporte vídeo, uma tecnologia já ultrapassada em 2000, visa de antemão introduzir no trabalho um efeito de obsolescência esperando-se que este se exacerbe à medida em que, com o tempo, as tecnologias avancem e o analógico, fita magnética que se desgasta no tempo, se transforme cada vez mais em testemunho do passado.

O corpo de cada um é registrado a partir de uma tomada frontal, que o abarca dos pés à cabeça, assim como a extensão dos braços abertos lateralmente. A iluminação, distribuída e refletida sobre o volume do corpo, confere uma plasticidade escultórica a ele. A luz assim distribuída, mais parece irradiar do corpo do que ser projetada sobre ele. Esta aparente tridimensionalidade é interessante pois, posteriormente, na câmara escura, sete corpos são retroprojetados lado a lado, ocupando o perímetro da sala de tal forma que o fundo negro de cada imagem se funde com as paredes escuras, ressaltando cada corpo em uma aparência quase holográfica.

Na forma de captação há uma referência às artes visuais, onde se encontram exemplos de retratos nos quais o homem representado fixa o olhar no espectador, ou seja, nos quais o autor, o pintor, o fotógrafo ou o videomaker estabelece um contato virtual entre o homem do passado e o do futuro, através do olhar ou da luz captada e refletida no ato do registro [[106]]. Também servem como referência auto-retratos, nos quais o autor retrata seu olhar de si sobre si através de um dispositivo-espelho. Este olhar posteriormente é lançado ao espectador [[107]]. Outra referência são retratos que mantém a escala de 1:1, criando uma ilusão de presença através da dimensão da imagem [[108]] .

O acervo será apresentado na câmara escura a ser construída em 2026. A câmara escura será construída de forma a esvanecer os contornos e limites ambientais com o propósito de realçar o espaço como campo de projeções. Os retratos simultâneos, distribuídos lado a lado ao longo da sala, induzirão o visitante a circular pelo acervo como em um museu tradicional, colocando-se diante de cada retrato para vê-lo e ouvi-lo. Cada retrato, projetado na escala original, a partir do piso, estará se dirigindo a um potencial visitante como em diálogo. As frases de cada um serão reproduzidas em baixo volume, formando uma unidade audiovisual que não interferirá nas outras. Cada uma das sete projeções apresentará sete pessoas, sendo que o corte de um retrato para outro será determinado pelo final de cada mensagem, momento no qual a luz projetada diminuirá até o preto total e, ao aumentar lentamente, apresentará outra pessoa no lugar da anterior. Desta forma, a cada nova passagem, o visitante, poderá estar vendo diferentes retratos projetados na sala. O visitante notará que, enquanto estiver diante de um retrato, os retratos ao lado estarão se alternando, cada um dotado de uma duração própria .
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