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[projetotorresgemeas]
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1. [projetotorresgemeas]
3 months ago
FILME RECOMENDADO PARA MAIORES DE 16 ANOS.
O [projetotorresgemeas] é fruto de várias discussões que vêm sendo realizadas sistematicamente há aproximadamente 2 anos. Ele nasce da vontade de algumas pessoas ligadas ao meio audiovisual pernambucano de falar do Recife e de suas relações de poder a partir do projeto urbano que vem sendo desenvolvido na cidade.
A ideia consistiu da realização de um filme coletivo, feito a partir de vários olhares sobre a cidade, aberto a qualquer pessoa que desejasse participar, independentemente de experiências prévias com o audiovisual ou outros meios artísticos.
Participaram Allan Christian, Ana Lira, André Antônio, André George Medeiros, Auxiliadora Martins, Caio Zatti, Camilo Soares, Chico Lacerda, Chico Mulatinho, Cristina Gouvêa, Diana Gebrim, Eduarda Ribeiro, Eli Maria, Felipe Araújo, Felipe Peres Calheiros, Fernando Chiapetta, Geraldo Filho, Grilo, Guga S. Rocha, Guma Farias, Iomana Rocha, Isabela Stampanoni, João Maria, João Vigo, Jonathas de Andrade, Larissa Brainer, Leo Falcão, Leo Leite, Leonardo Lacca, Lúcia Veras, Luciana Rabelo, Luís Fernando Moura, Luís Henrique Leal, Luiz Joaquim, Marcele Lima, Marcelo Lordello, Marcelo Pedroso, Mariana Porto, Matheus Veras Batista, Mayra Meira, Michelle Rodrigues, Milene Migliano, Nara Normande, Nara Oliveira, Nicolau Domingues, Paulo Sado, Pedro Ernesto Barreira, Priscilla Andrade, Profiterolis, Rafael Cabral, Rafael Travassos, Rodrigo Almeida, Tamires Cruz, Tião, Tomaz Alves Souza, Ubirajara Machado e Wilson Freire.
Site do projeto: projetotorresgemeas.wordpress.com/
O [projetotorresgemeas] é fruto de várias discussões que vêm sendo realizadas sistematicamente há aproximadamente 2 anos. Ele nasce da vontade de algumas pessoas ligadas ao meio audiovisual pernambucano de falar do Recife e de suas relações de poder a partir do projeto urbano que vem sendo desenvolvido na cidade.
A ideia consistiu da realização de um filme coletivo, feito a partir de vários olhares sobre a cidade, aberto a qualquer pessoa que desejasse participar, independentemente de experiências prévias com o audiovisual ou outros meios artísticos.
Participaram Allan Christian, Ana Lira, André Antônio, André George Medeiros, Auxiliadora Martins, Caio Zatti, Camilo Soares, Chico Lacerda, Chico Mulatinho, Cristina Gouvêa, Diana Gebrim, Eduarda Ribeiro, Eli Maria, Felipe Araújo, Felipe Peres Calheiros, Fernando Chiapetta, Geraldo Filho, Grilo, Guga S. Rocha, Guma Farias, Iomana Rocha, Isabela Stampanoni, João Maria, João Vigo, Jonathas de Andrade, Larissa Brainer, Leo Falcão, Leo Leite, Leonardo Lacca, Lúcia Veras, Luciana Rabelo, Luís Fernando Moura, Luís Henrique Leal, Luiz Joaquim, Marcele Lima, Marcelo Lordello, Marcelo Pedroso, Mariana Porto, Matheus Veras Batista, Mayra Meira, Michelle Rodrigues, Milene Migliano, Nara Normande, Nara Oliveira, Nicolau Domingues, Paulo Sado, Pedro Ernesto Barreira, Priscilla Andrade, Profiterolis, Rafael Cabral, Rafael Travassos, Rodrigo Almeida, Tamires Cruz, Tião, Tomaz Alves Souza, Ubirajara Machado e Wilson Freire.
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Aiai, minha Nossa Senhora das Tamancas Dourada!
Um morador do prédio da Conab diz que queria que a área da RFFSA que vai ser o Novo Recife fosse destinado a moradias populares....
AI MEU OVO!
Chegando no final, me deparo com uma cena completamente desnecessária. E coloque desnecessário nisso, pra não dizer que é de mau gosto.
Até concordo com uma crítica que uma mulher faz antes dessa cena, na qual ela afirma que a sociedade é desorganizada politicamente. Isso é absolutamente verdadeiro. Mas qual o objetivo do vídeo? Os idealizadores são contra as torres? São contra o Novo Recife? Querem o que ali no lugar? Querem acabar com as construtoras e imobiliárias, e consequentemente o mercado imobiliário do Recife?
Acho que quando a gente quer criticar alguma coisa, precisa sobretudo, lançar uma nova ideia. Não adianta dizer "você está errado" sem apontar uma alternativa viável. Então pra mim esse vídeo só tem uma descrição: BULLSHIT.
raul e ccosta, se vinguem! sei lá... façam um final diferente. que tal?
pra mim, grotesco ali é a computação do projeto que vem...
o filme de fato não chega a apresentar um modelo alternativo para a cidade. antes disso, ele surge como um manifesto/desabafo contra o modelo que está em curso. e talvez aponte para uma questão mais grave: a completa ausência de debate público em torno das transformações da cidade.
aqui tem uma explanação interessante sobre um fenômeno que, embora não mencionado verbalmente, é severamente criticado ao longo do vídeo: pt.wikipedia.org/wiki/Gentrifica%C3%A7%C3%A3o
não se trata, pois, de ser contra o mercado imobiliário, mas de pensar a cidade a partir de uma perspectiva de ocupação e distribuição mais igualitária.
quanto à cena dos pênis, me perdoem o trocadilho, mas acredito que ela ilustra com potência o exercício de poder das empreiteiras sobre uma cidade que ainda não encontrou meios para refletir sobre seu próprio crescimento.
marcelo pedroso
Eu concordo totalmente com a discussão sobre o Recife. À medida em que a gente tem uma Prefeitura que coloca gelos baianos num canteiro de uma praça a gente já tem a noção de que as coisas são complicadas.
Entretanto, não concordo com o alvo das críticas. Vocês simplesmente escolheram as torres e a coisa ficou meio solta. Você não acha que a gentrification no Centro Expandidod do Recife é necessária, não? Ocupação e distribuição [de terra, suponho] mais igualitária em Recife é demagogia, hipocrisia.
Algo está errado quando até o debate é visto como desnecessário ou destrutivo.
E afinal, qual o problema de se pedir que se construam casas populares no centro da cidade? Afinal, a infra-estrutura que já está lá e que foi paga com o dinheiro de gerações de recifenses é para ser usada apenas por quem tem dinheiro para comprar um Moura Dubeux? E toda a massa pobre do Recife, deve ser escorraçada para a periferia da cidade? É essa a lógica que deve ser seguida em nome da boa relação com as construturas?
Enfim, o debate tem tudo para ser interessante, mas concordo com o Raul: o par de pênis no final é um tiro no pé.
E assim considero por dois motivos básicos:
1. fecha uma (sem trocadilhos) caralhada de portas para o vídeo, especialmente em espaços públicos, onde ele poderia ser melhor explorado como instrumento de debate. Esse vídeo não poderá ser exibido em escolas públicas, em reuniões de associação de moradores etc.
2. desvia o foco de atenção do objeto para a forma do vídeo. Se o objetivo fosse discutir a vanguarda da linguagem cinematográfica estava perfeito, mas como o objetivo é discutir as transformações urbanas do Recife, perder tempo falando sobre imagens explícitas de falos como metáfora no cinema desvia o foco da questão principal. Se a idéia era mostrar o exercício de poder das empreiteiras sobre a cidade havia formas mais diretas e tão interessantes quanto esta de falar do assunto.
O que existia ali antes das torres? Nada. Não havia vida. Eram galpões inutilizados. Depois que a Rodoviária saiu de lá, a região morreu. E eu sinceramente não entendo a crítica ao Complexo Recife-Olinda, que teve seu primeiro passo justamente dado pela iniciativa privada. Se não fossem as torres da MD ali, e a confirmação da viabilidade da revitalização do bairro como novo destino residencial de alto padrão da cidade, talvez o terreno da RFFSA não tivesse sido comprado com os fins que foi e talvez o Novo Recife fosse apenas uma ideia, e não uma realidade.
Se a ideia é REVITALIZAR, ou seja, dar nova vida ao Centro do Recife, honestamente, a melhor forma não é através de moradias populares. Não é questão de ser elitista nem nada do tipo, até porque sou liso e fudido como muitos, mas é uma questão simples. Imaginem se a Reserva do Paiva fosse para moradias populares? Ia ser uma nova Brasília Teimosa.
Que existe um déficit habitacional na cidade, existe. Que ainda existe muita favela, indubitavelmente. Agora o Centro velho e abandonado do Recife não é o lugar para empatar esse jogo. Se é pra nivelar, porque nivelar por baixo se pode nivelar por cima?
Você está tirando a causa pela consequência. O poder público historicamente investe na urbanização das áreas ricas da cidade e não na periferia/bairros pobres. Brasília Teimosa é o resultado também da ausência dessa ausência do poder público.
Uma cidade não se faz de enclaves, separando ricos e pobres em áreas apenas porque os pobres não ficam bem na foto de cartão postal. A Reserva do Paiva, é exatamente isso, uma reserva, fora a linda fotografia nada acrescente a quem não mora nela. Não faz parte da vida da cidade e mesmo a história que poderia conectá-la ao restante do Grande Recife - como a festa da lavadeira - está sendo higienizada do local.
Aliás, a palavra é essa: higienização. Varre-se o que se tem de ruim de uma cidade, na ilusão de que, assim, os problemas não vistos estarão automaticamente resolvidos. Isso não é olhar para o futuro, é voltar ao passado. O Recife de hoje é o resultado dessa política.
Ninguém que expulsar as grandes construtoras do centro. Ninguém que impedir que a classe média ou a classe rica migre para lá, mas é preciso que o espaço seja de todos e não apenas de quem tem grana para bancar o último lançamento da MD.
As torres gêmeas ocupam, por falha da legislação, uma área que deveria ser pública: a beira de um rio. Assim como a beira mar, ela deve ser usufruída por todos os habitantes. Esse é só um dos problemas que devem ser discutidos antes da construção e não lamentado depois.
Mas cara, em todo o mundo, querendo ou não, existe esses enclaves que você falou. A não ser em sociedades extremamente ricas, como na Escandinávia, onde realmente não existe pobre. Aí sim. Mas mesmo nos outros países 'apenas' ricos, como Canadá, EUA, Austrália e na Europa existe, sim, a separação - embora exista muito mais homogeneidade do que no Recife.
Agora sobre o fato da ocupação e revitalização do Centro, acho que se a gente for esperar pela Prefeitura não vai sair nada. Se não fosse o Grupo Maurício de Nassau, boa parte da Av. Guararapes ainda estaria morta. Eles compraram um prédio e botaram a faculdade Joaquim Nabuco lá, e deu outra vida. Recentemente foi o prédio do INSS que viveu tanto tempo literalmente abandonado e teve que vir um empresário paranaense pra compra-lo, reforma-lo e moderniza-lo, e mais uma vez faculdades e escolas técnicas se instalaram no local e o prédio renasceu. Eu prefiro mil vezes que outras construtoras comprem prédios abandonados ou construam prédios na região, como um edifício quase pronto na Rua da Aurora. A Rua também parece mais um corredor de ônibus e taxi e só tem aqueles edifícios velhos da década de 70, salvo engano. Recentemente outro prédio foi lançado ou está para ser lançado na área, e quem ganha somos todos nós.
E antes das torres no Cais, volto a repetir: não existia nada em termos de uso do rio, como você falou. Pequenos pescadores tiravam dali algum sustento e isso não deixou de acontecer, porque o rio continua público. Não é porque os edifícios foram construídos na beira do rio que acabou-se a circulação nele (o que diga-se de passagem é praticamente inexistente, pois além do rio ser poluído e cheio de lama, ali perto ainda tem o encontro com o mar, o porto, etc.. não é uma região muito 'navegável').
Bato na mesma tecla: vocês estão reclamando de uma coisa que não tem do que se reclamar. E pior do que isso, não estão apresentando nenhuma solução.
Só por desencargo de consciência: são contra ou a favor do Novo Recife?
Acredito que não se trate de ser contra ou a favor do Novo Recife. Mas contra ou a favor do Recife.
O problema de se ocupar a beira de um rio, não é unicamente pelo uso do rio, mas pelo uso da beira dele. É incrível como naturalizamos essa ideia de que os espaços públicos podem ser privatizados.
Temos um ótimo exemplo nas margens do Capibaribe na altura da Madalena/Graças. Numa margem, o rio foi privatizado há séculos, pelas antigas casas senhoriais e, posteriormente, pelos prédios que tomaram seus lugares. No outro, temos uma avenida que coletivizou o espaço, rendeu um parque e uma pista de cooper, sem ser abrir mão do espaço para o investimento imobiliário.
O centro da cidade é, em nossa história, o local de encontro de todos os recifenses. Todas as classes e segmentos da cidade. O espaço que ele ocupa deve considerar isso. A minha crítica ao projeto do Novo Recife vai nessa direção: o projeto dedica pouco ou quase nenhum espaço à convivência, privatizando pedaços importantes desse conceito, como a beira de rio e lugares históricos da cidade.
E não, cara, não é em todo mundo que isso existe. O primeiro passo para encarar os nossos problemas é tentar parar com essa história de justificar nossos próprios erros através de espelhos quebrados. Não precisamos ir para Escandinávia para perceber isso. Mesmo em cidades de nosso próprio continente, como Buenos Aires e Montevidéo, vemos a utilização da cidade - calçadas, parques, passeios, praias e margens do rio - muito mais democráticas e agradáveis do que vemos no Recife. Aprendemos a achar muito natural não poder caminhar pelas calçadas ou viver enfurnados em shoppings como se fosse a regra mundial. Não é.
Tem um texto muito interessante do Pablo Holmes postado hoje no blog Acerto de Contas que fala desse processo. Se vc tiver interesse, o Pablo consegue condesar essas ideias num texto bem mais interessante que esse aqui. Fica aí a dica. Abraço!
acertodecontas.blog.br/artigos/recife-a-cidade-que-contratou-seu-futuro-com-o-inferno/#comment-247813
De toda maneira, concordo com você no que diz respeito aos espaços públicos. Realmente a nossa cidade peca muito nesse sentido, e toda crítica é pouco. Mas eu acho que é melhor dois espigões na beira do rio (mesmo que inutilizando aquele trecho da orla), revitalizando e levando 150 famílias de alto padrão para morarem ali do que do jeito que estava antes. Quem sabe se com mais empreendimentos do tipo, não só ali naquela região específica, mas em todo o Centro Expandido, a PCR não se toque e dê mais atenção a essa questão que é importante para nós todos?
É que, baseado na cidade em que estamos falando, tu estaria querendo dizer que isso já aconteceu antes, ou então que algum lugar onde existem muitos prédios desses é um lugar "vitalizado". Digo, qual é exatamente a função urbana dessa "ruptura positiva" que foi a construção desses dois prédios pra nós, que fazemos parte das outras 400 mil famílias da cidade do Recife?
Saudações aos Recifenses, Alvaro Barata