WATER-FALL IN

O trazer de uma experiência topológica para um ambiente esquadrinhado e urbano obriga a subjetividade a impor-se em um meio objetivo, entrando em choque dois universos.
A possibilidade de levantar um ato para um público racional com expectativas objetivas, coloca-se em prática. A noção de platéia e artista é questionada pela passividade do entender contemplativo e da autoridade do fazer.
Um trabalho mítico em fazer-se apenas meio, transposto ao espaço moderno, nos corta a exigência de fazer-se sujeito ou objeto de saber, e torna claro o poder do artista no seu fazer. Em certo momento, já não se sabe se é o artista que contempla e racionaliza pelas suas escolhas, ou se o espectador é o que age – mesmo que sua opção seja o não-agir. Pronto, uma relação sadomasoquista entre saber e poder, entre o fazer e o contemplar, entre a captura imediata da obra pela modernidade que desencanta, no sentido de ignorarmos o fato de sermos cúmplices de barbáries.
Nos instiga a sairmos da zona de conforto dos nossos corpos entorpecidos. A função do artista tanto quanto a do espectador, não só passam a se confundir, mas como passam a ser questionados como práticas de liberdade e autoridade. Nesse sentido, todos somos sádicos e masoquistas, e no espaço moderno todos somos sujeitos e objetos, senhores e escravos de nós e dos outros, qualquer ação está pronta para ser capturada – e nem o artista estaria em esfera superior de atividade: ele também é produto e produtor do sistema, e está na encruzilhada de criar para ser capturado, é parasita e parasitário.

WATER-FALL OUT
Topologia, live art

“Se você engolir peixe vivo, vai nadar…” – crença popular do interior de Minas Gerais. A obra é uma experiência topológica em fazer o corpo confundir-se com o meio. Trabalha-se a possibilidade de livrar o Corpo a interagir pela Memória ao compor sua própria hierarquia em rede com o solo, o fluxo de água, os seres vivos e as comunidades humanas locais.
Esse confundir-se meio e memória, faz das experiências encantadas da infância transformarem-se em mitos antropofágicos concretos. Entre livrar os órgãos para livres-associações e colocar a consciência como organizadora, faz-se do conflito do Corpo um semi-deus. A autoridade instrumental da ação humana luta para organizar um espaço mítico caótico e constuir um novo corpo sintético e topológico. Cabelo-alga, peixe-mulher, comunidade e espaço, autoridade e submissão, entrelaçam-se em um work-in-progress que só constitui-se como tal a partir de suas circunstâncias sociais e espaço-temporais, tendo como instrumento um corpo nu memorial, fazendo de si o meio como ritual.

Loading more stuff…

Hmm…it looks like things are taking a while to load. Try again?

Loading videos…