Exposição entre 19 de novembro de 2011 a 8 de abril de 2012
Curadoria de Rubens Fernandes Junior

A exposição Gaensly, fotógrafo cosmopolita apresenta fotografias realizadas por Guilherme Gaensly (1843–1928), entre o início dos anos 1900 e meados da década de 1920. As fotografias foram selecionadas a partir do acervo da Casa da Imagem, da Secretaria Municipal da Cultura, e representa os documentos visuais mais expressivos e significativos da cidade de São Paulo do período.

A Casa da Imagem é uma iniciativa pioneira da cidade de São Paulo. Para celebrar sua inauguração, escolhemos as fotografias de Guilherme Gaensly, sem sombra de dúvida o profissional que melhor soube observar e sintetizar na imagem a radical transformação urbana ocorrida nos primeiros anos do século XX. Ele não se preocupou em documentar obras, mas cravou seu olhar no coração da cidade para produzir um conjunto eloquente de fotografias, cuja principal preocupação era evidenciar uma nova dinâmica instaurada pela modernidade. Para isso, elegeu como seu principal foco os edifícios públicos, os parques e as praças redesenhadas, os novos bairros, os palacetes, o requinte dos novos estabelecimentos comerciais e os trilhos dos bondes recém-chegados ao espaço urbano.

Gaensly é um mestre em fotografias urbanas, pois sua produção, impecável em termos de enquadramento e composição, é superior e diferenciada em relação ao que se produzia no país naquele momento. Nossa intenção ao selecionar estas fotografias, aqui agrupadas em blocos temáticos, é estimular o espectador a vislumbrar e se envolver com a história da cidade. Ao mesmo tempo, dar subsídios para valorizar e compreender a importância do café e do trabalhador imigrante no desenvolvimento do processo econômico. Nossa intenção é provocar um choque perceptivo no visitante, que, ao se defrontar com imagens do passado, nesta casa centenária, poderá reforçar sua identidade, reconhecer-se no presente e ampliar seus laços afetivos com a cidade.

A exposição permite conhecer o trabalho de Guilherme Gaensly, o fotógrafo cosmopolita, dedicado e ativo que mais aproximou sua atividade profissional das exigências do ideário republicano de progresso social e material. Versátil e empreendedor, ele produziu uma visão da metrópole emergente com elegância, buscando interpretá-la como um espaço urbano harmonioso e vibrante. Ao mesmo tempo, permite tornar público um acervo fotográfico que raramente teve oportunidade de ser exibido. A Casa da Imagem é o espaço ideal para conhecer e analisar a evolução sociocultural urbana e arquitetônica de São Paulo. E o documento fotográfico é a materialidade de uma memória que deve ser difundida com a finalidade de agregar novos valores e criar novos vínculos com a história da cidade.

Rubens Fernandes Junior

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