Video do artista Rafael Sliks fazendo o mural externo da TAG and JUICE, peça intergrante da Exposição "SÍNTESE" realizada 30.05.2012 e que fica aberta a visitação até 28.07.2012, com apoio da EVOKE.

TAG and JUICE Lifestyle Shop & Gallery
Rua Gonçalo Afonso, 99 - Vila Madalena
São Paulo - SP
Brasil

Muito se fala da relação entre a arte das cavernas e o graffiti. Sim, ambos tem a parede como suporte. Sim, nós humanos parecemos ainda muito primitivos. Mas é apenas isso. Lá, havia a necessidade de representação e compreensão do mundo exterior; aqui, há a necessidade de afirmação de um mundo interior. Lá, se tentava criar regras. Aqui, há transgressão. Lá não havia escrita e, talvez, o desenho fosse a única forma visual de comunicação. Aqui, a escrita é a origem de tudo.

O grafiteiro em inglês leva o nome de “writer”, escritor. E o tag, como é chamada a assinatura do grafiteiro, é a linguagem a partir da qual todas as estéticas do graffiti se desenvolveram. Sliks é um estudioso dessa caligrafia que a coloca em prática. É frequente se deparar com um de seus tags pelas ruas de São Paulo. É uma ousadia, uma única cor, nenhum esboço. Os movimentos rápidos da mão, do braço, a pressão correta do dedo contra o bico do spray, o ângulo e as distâncias entre a lata e o muro. Tudo determina o resultado. Tão sintético como complexo, o tag carrega uma tradição tão respeitável quanto a tradicional grande arte, pois é a junção perfeita entre o domínio da técnica e a estética. Que críticos de arte do passado imaginariam que um recipiente sob pressão que projeta um jato de tinta mudaria tudo?
Há quase 5 décadas, gerações vem usando e aprimorando o spray para criar novas estéticas. Sliks trilha esse caminho. Sua busca transborda a caligrafia do tag. Ele joga com as linguagens do graffiti em seus limites, cria universos tridimensionais com o multicolorido dos planos, texturas com as sobreposições da escrita, seus escorridos ganham vida, suas pinturas tem gravidade própria.

Em 97, eu pintava com Doly na avenida Higienópolis quando o Rafael apareceu, nós conversamos. Ele não era Sliks, ainda. Onze anos depois, no Grajaú, encontrei o Sliks e disse que seu tag era o melhor da cidade. Ainda é. E quem estuda as origens conhece o futuro.

Alexandre Orion

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