Documentário de 55 minutos, dirigido por Charles Cesconetto, realizado em 2004 no DOC TV - TVE. Wagner Labella e Laine Milan apoiaram o projeto através da TVI e merecem destaque. Este documentário aborda os Guaranis do estado de Santa Catarina, foi distribuído para todas as escolas do estado e tem servido como instrumento de luta nas causas indígenas. O filme, dividido em três partes, cultura, problemas e soluções, é baseado no trabalho do antropólogo Aldo Litaïff, que dedica-se ao estudo dos Mbya Guarani.

Objetivos deste documentário: divulgar a cultura dos Guaranis e sua sabedoria ecológica, fundamental para a qualidade de vida num mundo globalizado; contribuir para a afirmação e preservação da identidade étnica, dos costumes e da tradição entre os Guaranis, sensibilizar autoridades para a urgente e fundamental necessidade de demarcação de terras adequadas em dimensões e qualidades de forma compatível com a cultura guarani.

Características: os próprios índios se expressam para o espectador, sem a necessidade de mediadores que se achem na obrigação de explicar os fatos por aquelas pessoas “que não podem se expressar por si próprias”, para nos explicar seus pensamentos, motivações, convicções, gostos, carências e desgostos. Os guaranis se dirigem a todo tipo de espectador, mas principalmente ao seu próprio povo, buscando o fortalecimento de sua própria cultura. Os guaranis não são apresentados como seres exóticos, ou primitivos, como muitos costumam classificá-los. Procuramos descobrir semelhanças entre os seres humanos e sublinhar a riqueza e a profunda sabedoria deste povo, buscando ressaltar as diferenças como valores culturais. Seuss problemas são mostrados, mas tomando o devido cuidado para que não seja criada no espectador a sensação de que “nós temos que cuidar dos pobres índios”. As melhorias da condição indígena não podem acontecer segundo os padrões de valores dos espectadores. Uma mudança permanente e progresso só podem ser obtidos através de ações institucionais e leis mais justas. A dura realidade indígena é exposta, no entanto não exploramos estas imagens de forma paternalista e espetacularizada, como geralmente são apresentadas por grande parte da mídia. Apesar da indiferença do poder público, estas pessoas vivem com dignidade e até mesmo com certa alegria. A língua falada no documentário é o Mbyá Guarani, pois além de 5% de sua população não conseguir se comunicar com facilidade através do português, a língua é um dos principais elementos de uma cultura e contribuir com a preservação das tradições deste povo é um dos objetivos deste documentário. Assim sendo, o filme é totalmente legendado. Em dois momentos, os guaranis se expressam em português e temos então a oportunidade de acompanhar a língua destes através da representação escrita do guarani em forma de legendas. Os povos indígenas não possuem escrita, portanto, a língua e os demais elementos de sua cultura são transmitidos oralmente, o que dificulta a transmissão dos conhecimentos milenares num mundo dominado pela mídia. Enfatizamos que, num filme sobre os guaranis, procuramos evitar a utilização da língua do exterminador, quando em terras brasileiras existem ainda mais de 200 idiomas indígenas. Não há dramatizações. Todas as imagens são registros do quotidiano dos índios e suas falas não são textos planejados e bem acabados como geralmente ouvimos pela voz de um narrador onisciente, quase uma voz divina que tudo sabe, porque tudo vê. Temos os relatos e as expressões dos Guarani. A trilha sonora é composta apenas por sons e músicas dos próprios Mbyá.

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