PROJECTO 516
Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses, Vira bom

Gravado em Moldes, Arouca, Porto, Norte (Entre Douro e Vouga)
9 de Dezembro de 2012

Realização: Tiago Pereira
Som: Rosa Pomar
Assistidos por: Telma Morna e João Cabral

O grupo que tem por nome " Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses – Rancho de Moldes " representa a região do Douro Litoral.
A sua origem, em 1945, funde-se com a origem da Feira das Colheitas. A Europa era depauperada pela IIª Guerra Mundial, em Portugal alastrava a fome e a miséria. A lavoura mergulhava numa profunda letargia.
Em Arouca, pela mão do Presidente do Grémio da Lavoura, António de Almeida Brandão, idealiza-se a Feira das Colheitas. Em todas as freguesias do concelho, formou-se uma Comissão para incitar os lavradores ao melhoramento do trato das terras e dos gados, com o objectivo de aumentar a produção, mas também, para dinamizar as comunidades para formarem agrupamentos folclóricos que se reuniriam em Setembro, na referida Feira das Colheitas. Como atractivo, institui vários prémios que constituíram um verdadeiro incentivo. O Rancho de Moldes compareceu em toda a sua pujança como baluarte intransigentemente fiel das tradições de Arouca.
Desde 1945 que o grupo se mantém em actividade permanente, trabalhando na recolha, preservação e divulgação do folclore e etnografia do concelho de Arouca tendo, em 1958, adoptado o título que ora ostenta.
O Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses é um dos grupos fundadores da Federação de Folclore Português. Actualmente, é membro do INATEL, do RNAJ e da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnografia. Proprietário das revistas Rurália e Cultura Popular, é organizador das Jornadas de Etnografia, e, em parceria com a URTIARDA, das Jornadas da Terra. Realiza também, anualmente, o Festival Internacional de Folclore de Arouca. O grupo divulga, também, a polifonia vocal tradicional da região de Arouca, salientando-se os velhos cramois (canto a três vozes) que são um verdadeiro tesouro cultural, tendo editado recentemente um CD de corais tradicionais de nome “Cantas e Cramois”.

Trajos
A uniformidade do trajo é apenas uma aparência pois, embora na mesma cor, todos são variados. Variava a qualidade do tecido, a posse do ouro, o arrebique no paletó. O sóbrio trajo negro da região de Arouca consta na mulher de chapéu de penacho, lenço de seda, saia de pano lustroso e por baixo destas saias os saiotes bordados. Blusa de linho e paletó bordado e com ramagens. As meias são de renda calçadas por chinelas rasas de biqueira arrebitada. O homem traja camisa branca de linho, colete preto, calça preta segura na cinta por faixa negra. Botas pretas e chapéu de aba larga.

Danças
Arouca viveu durante séculos num comunitarismo agro-pastoril que lhe era imposto pela situação geográfica e por certo isolamento rural, apenas entrecortado por contactos com o povo duriense e da beira-mar, geralmente por altura das grandes festas e romarias de então.
Para além das Modas dos Caminhos, o grupo apresenta danças populares autóctones mais velhas e que são as que se confinam a dois períodos de actividade coreográfica, o de tensão e o de distensão, reguladas por um cantador integrado no suporte rítmico. Tais danças são caracterizadas pela sua serenidade e, por isso, merecedoras do epíteto “a casta dança portuguesa”.
As são essencialmente comunitárias e tinham uma função social meramente recreativa sem qualquer significado ritualista, mágico, litúrgico ou religioso apesar de algumas delas estarem relacionadas com um determinado carácter laboral ou religioso, foram inventadas pelo povo para o seu divertimento.

Corais polifónicos
Os corais polifónicos da região de Arouca não são fáceis de descrever. Falam de coisas simples e têm uma solenidade que ultrapassa qualquer singeleza lírica. São cantos antiquíssimos que foram guardados, sobretudo, entre as mulheres. É a voz feminina que povoa todas as palavras e faz, da mais simples quadra, uma declaração solene de uma beleza pouco explicável. É como que todo um tempo se condensasse nas gargantas das cantadeiras; é o manto das gerações que as cobre e faz tornar sublime o que parece vulgar e aparente.

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