O que se odeia no índio, de Reynaldo Jardim

O que se odeia no índio
não é apenas o ocupado espaço.
o que se odeia no índio
é o puro animal que nele habita,
é a sua cor em bronze arquitetada.
A precisão com que a flecha voa
e abate a caça; o gesto largoi
com que abraça o rio; o gosto de
afagar as penas e tecer o cocar;
O que se odeia no índio
é o andar sem ruído; a presteza
segura de cada movimento; a eugenia
nítida do corpo erguido
contra a luz do sol.
O que se odeia no índio é o sol.
A árvore se odeia no índio.
O rio se odeia no índio.
O corpo a corpo com a vida
se odeia no índio.
O que se odeia no índio
é a permanência da infância.
E a liberdade aberta
Se odeia no índio.

=> créditos do vídeo:

poema
Reynaldo Jardim
 
leitura
Ramon Mello
 
audio 
Corredor 5 (Renato Alscher)
 
edição e montagem
Maria Rezende
 
foto
Andre Mantelli

em solidariedade aos indígenas expulsos da Aldeia Maracanã e às tribos do Xingu que lutam contra a construção de Belo Monte

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