Em Contratura, mostra individual do argentino Pablo Siquier, precisão e primitivismo combinam-se inusitadamente, em três painéis agigantados inéditos. “São apenas três desenhos para ocupar um espaço enorme”, afirma o artista. Na série inédita, Siquier emprega a técnica de desenho a carvão sobre parede, porém transformando-a ao adotar a execução de grandes formatos.
Os desenhos são realizados em um programa vetorial 3D, e depois transferidos para a parede manualmente para a parede da galeria. “São desenhos hiperprecisos e exatos, executados por uma ferramenta primitiva e errônea”, comenta Siquier.
Desta forma, o artista adota um ponto de partida extremamente preciso e limpo e o combina a uma resolução final primitiva e suja. Ele conta que a realização dos desenhos no computador é lenta e trabalhosa, e chega a levar meses. “Se os artistas se dividem entre talentosos ou esforçados, pertenço sem dúvidas à segunda categoria”, afirma.
“Um dos desafios desta exposição é a sala, a maior deste mundo!”, brinca Siquier que nela realizará apenas três desenhos agigantados. Segundo ele, os desenhos são complexos, ou “complicados, secos e duros”, como prefere defini-los. E ele ressalta que é apenas o ritmo ornamental, produto da repetição dos elementos, que dá ao olho alguma tênue alegria. “São o oposto da fluidez”, resume.
A obra do artista argentino Pablo Siquier, referência na arte argentina, divide-se em séries perfeitamente diferenciáveis, e cada uma delas corresponde a um sistema específico de representação. Na mostra Contratura, os desenhos apresentados na Baró pertencem à série que utiliza carvão sobre parede, a quarta de suas séries.

texto Tatiana Diniz

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