27 de janeiro
O caso Nietzsche e a criação do Parsifal: Sexo, regeneração e espiritualidade.

Na sessão de hoje analisaremos a relação de amizade que se estabeleceu entre Richard Wagner e Friderich Nietzsche a partir de 1868, quando Nietzsche, com apenas 24 anos e ainda estudante de Filologia, conheceu o compositor, na altura com 55 anos, por quem já tinha uma admiração confessa. Veremos, assim, como o futuro filósofo rapidamente imerge na intimidade da família Wagner, nutrindo também uma especial admiração por Cosima. A desilusão que o Festival de Bayreuth causou em Nietzsche, em 1876, e uma eventual discussão sobre religião, dois meses depois em Itália, foram pretextos para uma distanciação entre os dois homens de génio, mas a “traição mortal” de que Nietzsche falará uns anos mais tarde terá outra origem: a intervenção de Wagner junto do médico de Nietzsche a propósito dos seus graves problemas de saúde, que terá levado a uma inadvertida fuga de informação sobre a vida sexual do filósofo. A partir desse momento Nietzsche não voltará a comunicar com Wagner, a não ser através dos seus livros, dois dos quais, O Caso Wagner e Nietzsche Contra Wagner, escritos no seu último ano de lucidez, em 1888.
É depois desta separação, entre 1877 e 1878, que Nietzsche escreve as suas obras mais importantes e Wagner compõe a sua última obra, Parsifal, que é o resultado não só das preocupações de natureza metafísica que desde sempre inquietaram o compositor, mas também do sistema de ética que ele definiu nos últimos anos de vida através dos chamados “escritos da regeneração”, nomeadamente os seus ensaios Religião e Arte (1880) e Heroísmo e Cristandade (1881).

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