Encontro Nacional de Cavalo Marinho, gravado na Casa da Rabeca (Cidade Tabajara - Olinda - PE) em 06 de janeiro de 2014.

Lindíssima festa popular em extinção - aliás, como todas as festas populares, que estão perdendo suas identidades, sendo destruídas pela cultura de massa, por uma televisão que impõe valores estranhos e deslocados a jovens que vão se desinteressando por suas raízes e se desligando delas; que passam a considerá-las cada vez mais indesejadas.
Não foram poucas as pessoas que me contaram que as festas mais tradicionais do sertão nordestino mudaram radicalmente de 20 anos para cá; que suas músicas da tradição oral estão sendo esquecidas e suas festas sendo estupradas por músicas de grupos de axé famosos.
Nesta festa mesmo, na tradicional Casa da Rabeca, o número de estranhos e curiosos, como eu, era enorme; muito maior do que o número de locais. Havia mais câmeras fotográficas do que pessoas participando das festividades. Havia muitos jovens nativos que não sabiam me explicar o que era a festa; que olhavam as danças com um olhar estrangeiro, estranhavam o que viam; que olhavam seus iguais como alienígenas. A impressão que tive foi de estar em um museu, um belo museu que não sabe como conservar seu patrimônio; um belo museu se esfacelando, caindo aos pedaços.
Não tinha um vidro blindado, nem uma barreira afastando os curiosos e suas câmeras fotográficas, como a Gioconda no Louvre. Mas a sensação foi a mesma, me senti um japonês que fotografa freneticamente, por trás de dezenas de cabeças, um quadro protegido por um vidro blindado: a cultura popular está blindada, sem ar, fechada para trocas. Está condenada.
Mário de Andrade deve estar se revirando em seu caixão, e muito.

mais informações sobre o cavalo marinho:
pt.wikipedia.org/wiki/Cavalo_marinho_%28folguedo%29

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