Na ficha de catalogação do Museu Nacional de Etnologia de Lisboa resume-se o invulgar objeto mas não se faz ouvir o seu som e toda a história, misticismo, querelas geográficas e percurso etnográfico de um dos mais importantes instrumentos musicais da África Ocidental. O kora é tão importante para esta região africana quanto desconhecido por nós, ocidentais. E enquanto um dos mais importantes repositórios destas culturas, a sua importância continua a ser transmitida pela oralidade, pela palavra do djidiu.
Motivo de orgulho de nações que nasceram de tribos sem fronteiras, existem discrepâncias sobre a origem deste instrumento, com os diferentes países a reclamarem-no como seu. Mas é durante o apogeu do Reino de Kaabú que muitas das lendas sobre a invenção do kora se cruzam. E Kansala, a cidade berço deste imponente reino, localizava-se numa área que atualmente pertence à Guiné-Bissau.
E assim, quem pode reclamar o kora como seu?
A resposta vem pelas perguntas que o documentário também coloca aos djidius guineenses, personagens quase míticos da sociedade guineense. Eles são tocadores de kora, mas também os guardiães e intérpretes da sabedoria dos antepassados, da história épica de África Ocidental e dos seus protagonistas.
Mas porque aqui interessa não só a História do kora, mas as estórias que ouvimos na primeira voz que pulverizam a imaginação de quem as ouve, transportando-nos além tempo numa atmosfera única entre o real e a ficção.
Uma viagem no espaço e no tempo, que começa por promover e registar o encontro do objeto de vitrine com o neto do seu dono original e avança, depois, para toda uma população que ainda reclama o kora como único e seu.

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