Uma das mais antigas, e mais antiquadas, premissas da crítica de arte é a que estabelece uma divisão entre, de um lado, Arte-com-a-maiúsculo, e de outro, entretenimento-com-e-minúsculo. De acordo com essa visão, poderiam ser chamadas de Arte aquelas expressões criativas atemporais, universais, onipotentes; e de entretenimento tudo o que sobra, todo o “lixo” comercial sem valor estético e com o único objetivo de divertir as pessoas.

Graças a Deus, Bourdieuzão e Marcelo MeuChampz, essa perspectiva ingênua e elitista tem sido combatida com sucesso e hoje já está bem estabelecido que a grande diferença entre Arte e entretenimento é o prestígio que cada uma conseguiu alcançar ao longo de sua história, como resultado de seu processo de legitimação. E, que me perdoem os estetas e todos os fundamentalistas da estética ainda remanescentes, este prestígio não se deve a nenhum valor intrínseco à obra, não há critério objetivo que permita, com seriedade, explicar por que, por exemplo, Flaubert é literatura e Paulo Coelho entretenimento. É tudo um mestre-mandou: se chama de Arte aquilo que a escola ensinou.

Mas gostaria de discordar de quem, concordando comigo, leu os dois primeiros parágrafos e afirmou: quadrinho é arte. Não é. Tampouco é entretenimento. Quadrinho é, como tudo na vida, aquilo que a gente quer fazer com ele.

E o que Pimba quer fazer com os quadrinhos? O coletivo brasiliense formado pelos desenhistas Caio Gomez, Daniel Carvalho, Felipe Sobreiro, Leandro Mello, por este que vos escreve estas mal traçadas linhas e pela designer e diagramadora Sarah Sado quis, antes de tudo, fazer quadrinhos. Não teve pauta, não teve editoria, tema, idéias vetadas. Cada um fez o que quis, como quis e que agora assuma a responsabilidade de tocar o seu pandeiro, como diria Francisco da Ciência. Pimba queria fazer quadrinhos, e fez. O que queria fazer com quadrinhos? Um jornal. Fez também.

Quadrinho? Jornal? Arte? Entretenimento? Herói? Humor? Que cada um decida como perceber #Pimba. Pra gente, foi, é, e continuará sendo #pimba na gorduchinha, que é como os alemães dizem “vai lá e faz, porra”.

Brasília, 13 de março de 2014.

Danylton Penacho
jornalpimba.com

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