de Athol Fugard
tradução Paulo Eduardo Carvalho
encenação Jorge Silva
cenografia e figurinos Ana Paula Rocha
música Filipe Melo
desenho de luz Carlos Gonçalves
interpretação Carla Galvão, José Peixoto
produção Teatro dos Aloés

Sonham com “um teatro capaz de representar o mundo e de o pensar”, e sonham-no agora no Porto, dez anos passados sobre a sua fundação enquanto projecto artístico. O Teatro dos Aloés traz na bagagem dois textos de autores contemporâneos, outra das marcas distintivas do seu trabalho, para prosseguir o seu percurso de contadores de ficções dramáticas exigentes, mas partilháveis. Transportam no nome uma metáfora de resistência e regeneração, inspirada na peça Uma Lição dos Aloés, do dramaturgo sul-africano Athol Fugard. Agora, o regresso ao autor que os baptizou faz-se por via de Canção do Vale (1996), um poema dramático para dois actores e três vozes: Abraam, o patriarca intranquilo, a neta Veronica, que tem uma ambição que não cabe nos estreitos limites de uma aldeia, e o Autor, que se confronta com as suas próprias apreensões. As apreensões de Fugard, certamente, sobre aquilo que ficou depois da luta pelo fim do Apartheid. Um texto obliquamente político sobre a reconstrução da identidade de um país, como político é o radical trabalho sobre a linguagem operado por David Harrower em Facas nas Galinhas (1995). O dramaturgo escocês põe as suas três personagens a falar como se tivessem acabado de aprender… a falar, enquanto olham “demoradamente para o mundo em busca de todos os nomes que ele contém”. Mais do que colocar em movimento um bizarro triângulo de amor e crime, o verdadeiro prodígio de Harrower (autor que reincidirá na nossa programação com Blackbird) foi o de levantar um universo – e aqui socorremo-nos de um verso de Seamus Heaney – “em linguagem que ainda sabe esmurrar a linguagem”.

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