O tanque de Betesda era incomum pelo fato de os judeus o haverem transformado em um grande centro de peregrinação. Aparentemente era alimentado por uma corrente subterrânea e em certas ocasiões a água se movimentava. Esta agitação inexplicável da água era atribuída a um anjo invisível que liberava poder de cura no tanque, e o primeiro enfermo que entrasse era curado. Entendo que João registrou esta tradição judaica bem do jeito que os judeus acreditavam - para expor a fraqueza e a limitação dela ao compará-la com o poder curativo integral e absoluto de Jesus Cristo. Na Revista e Atualizada (ARA) está entre colchetes, que é utilizado na gramática para assinalar uma intervenção nossa no que o outro diz. Na NVI a nota de rodapé indica que a maioria dos manuscritos antigos não traz esta frase.
A Agitação da Água Criava Uma Reação em Massa
Com certeza só os mais ágeis e alertas poderiam chegar primeiro à água. Um lugar de muita necessidade e nenhuma solidariedade. Esta deve ter sido a cena quando vinha o grito: "A água - já! Rápido - ela está se mexendo!" Que correria louca devia ser com as esperanças frustradas dos mais fracos e mais necessitadas por haver uma pessoa mais ágil chegado lá primeiro. Não, Jesus não toma parte neste esquema do tipo roleta da sorte! Jesus foi atraído para certo homem enfermo que jazia perto do tanque. "Um dos que estavam ali era paralítico fazia trinta e oito anos.” (João 5:5). Este homem aleijado sem nome apresenta muitas faces e representa multidões de pessoas que se vêem impotentes e em situação de desespero. Talvez ele fosse o mais fraco e o mais necessitado, o que suportara por mais tempo sua enfermidade. Jesus era sempre atraído para a maior necessidade. Certamente trinta e oito anos de esperanças frustradas, sofrimentos insuportáveis, e solidão. As limitações vêm de diferentes formas. Podem ser físicas, espirituais, mentais - ou todas juntas. Você pode estar emocionalmente paralisado como aquele homem deitado junto ao tanque! Pode ser que você esteja numa situação desesperadora - e não vê solução. Ninguém parece verdadeiramente entender a profundidade do seu sofrimento. Dê uma boa olhada para este homem em sua limitação, e pense nos anos de lutas, nas dores que caíram sobre ele devido às pessoas que ele julgava desinteressadas, insensíveis. Lugar mal cheiroso, ovelhas! Quantas vezes ele deve ter levantado uma mão envergonhada para os que passavam. "Por favor, alguém me ajude! Sozinho eu não consigo!"
Por Que Jesus Perguntou ao Homem Inválido: "Queres Ser Curado?"
Quando o viu deitado e soube que ele vivia naquele estado durante tanto tempo, Jesus lhe perguntou: "Você quer ser curado?" v.6. Será que as pessoas numa situação tão dolorosa não iriam todas querer serem curadas? Com certeza o Senhor tinha uma boa razão para fazer uma pergunta tão penetrante. A pergunta indicava que o homem poderia não ter vontade de ser curado. Jesus sabia que ele estava naquela situação deplorável por 38 anos, e que havia sido gasto muito esforço em busca de ajuda - mas neste particular dia de sábado, Jesus lhe perguntou: "Você quer ser curado?" Tem gente que não quer ser curado. Existe um perigo na agonia e na dor prolongadas - que é o de se desistir, acariciar o sofrimento, e simplesmente ir levando do jeito como está. Alguns estudiosos do comportamento humano chamavam isto de "abraçar a dor". A pergunta de Jesus implicava no fato de o homem não estar pronto para enfrentar a responsabilidade de ser curado. Veja a resposta imediata do homem: "Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim" (João 5:7). "A culpa é do outro!" Isto soa como se a amargura tivesse se desenvolvido nele, e apesar de ser tudo verdade, ele era parte do seu problema. Ele não só estava deteriorado fisicamente, mas era um aleijado emocional e espiritual devido à sua amargura. Suspeito que ele finalmente até tenha desistido de ser curado. Muitos dos que sofrem não conseguem sobreviver sem o seu sofrimento e a sua dor. Pessoas que edificaram as suas próprias vidas em torno da dor, da aflição e do sofrimento. Queixaram-se e discutiram tanto em relação à sua situação, e por tanto tempo, que se fossem curados, não teriam mais nada para falar. Ser aleijado era seu modo de vida. Era complicado viver como pessoa normal, teria que trabalhar! Ficou triste e murmurador por tanto tempo, que isto se tornou um vício. Se fosse curado isto significaria o aprendizado de uma maneira inteiramente nova de viver. Teria que aprender um novo linguajar de esperança. Teria a responsabilidade de aprender a ser satisfeito para com os outros.
Resumo da Mensagem do Culto do dia 08/06 – Pr Augusto Umeki

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