Music Videos - all genres

Private

Part of the upcoming Alexandre Francisco Diaphra’s album “Blackbook Of The Beats”.

Text by Alexandre Francisco Diaphra (in Portuguese):

Uma miúda de 7 anos pediu-me para mostrar-lhe as minhas músicas, eu tinha algumas do meu novo trabalho no mp3 e passei-lhe para a mão. Passado um bocado ela disse que gostava do que estava a ouvir e passado mais um bocado ela perguntou-me : " o que é que está aqui escrito?"

Fui ver e era no nome deste tema "CONA", ao que eu respondi : "Cona".

Ela continuou a ouvir, e eu tive de perguntar : "Não gostas do nome?"
E ela respondeu com um encolher de ombros, e uma expressão na cara que sugeriu, "tanto faz, nem sim, nem não".

Percebi que ela sabia que a palavra é o que chamamos de palavrão. Palavras proíbidas, porque são más por natureza, devido ao contexto onde normalmente, são usadas.
E reparei também que ela nem se sentiu um pouco incomodada quando disse tal palavrão. Ao contrário do que acontecera, um mês antes quando anunciei num concerto que tinha um novo tema, e estava na dúvida se haveria de o intitular de CONA ou não. E expliquei o meu porquê em considerar o tema ter esse nome.

Simplesmente, CONA era a palavra que eu tinha censurada na letra deste tema, ou seja não a pronunciei na gravação da mesma, e nem nesse dia ao vivo.

Como alguém que comunica através da arte, eu uso muito as palavras e às vezes a omissão das mesmas resulta melhor do que as dizer ou escrever, mas neste caso achei ainda mais eficaz, omitir no texto e dar-lhe destaque como nome do próprio tema, em letras maiúsculas.

Houve pessoas no dia desse concerto que disseram que não deveria de usar, outras apoiaram o seu uso fervorosamente e houve ainda outras que não se pronunciaram. Mas gerou-se uma galhofa, isto antes de se quer cantar o tema.

O CONA é um tema em que manifesto um novo Homem, completamente assumido no que toca às suas próprias crenças e capacidades. Alguém que sabe que pode ser muito diferente daquilo que lhe tem sido incutido durante toda uma vida. Mais que uma emancipação é uma ascensão, de uma perspectiva completamente realista, do ponto de vista onde ele já se encontra. É um "Eu Sou" diante de todo mundo.

Acabei de fazer o tema e tudo o que ouvi no meio das palmas, no meio do ruído foi a minha voz dizer : "um tema com este poder só pode ser chamado CONA"

Esta é a minha dedicatória à Mulher e o afastar desta palavra "cona" do sentido pejorativo e da sua proibição social, na direção que lhe falta. A direção para um contexto onde esta palavra significa poder, significa criação, transformação, nascimento e renascimento, matéria, maternidade, luz sem idade e a obscuridade de um desconhecido, que por direito só pertence a quem a tem.

E também deixá-la entregue à vulgaridade, no sentido de apenas ser mais uma palavra e uma ferramenta de comunicação, expressão.

"Para alterar como isto funciona eu alterei o meu cromossoma,
Alterei a minha maneira de pensar,
E alterei o meu idioma.
Não só alterei a questão,
Como alterei como se questiona...
Eu estou tão alterado que já não tenho forma.

Por norma,
Eu tenho um copo meio cheio que nunca entorna,
Sem norma,
Garrafas vazias, meu corpo em coma.
Mas toma,
Subtraíste-me agora soma,
Hoje sou um Homem novo,
Como se acabado de sair da

CONA."

- Alexandre Francisco Diaphra

j vimeo.com/50824829

Loading more stuff…

Hmm…it looks like things are taking a while to load. Try again?

Loading videos…