Paraty em Foco

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Paraty, RJ

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E não é que não somos efêmeros?

Um festival é um conjunto de ações, pré e pós, que por si só constituem uma ação maior que poderia ser chamada de formação, difusão, consolidação ou estímulo, elementos fundamentais para o desenvolvimento de uma fotografia ou de qualquer linguagem cultural. Para construir e manter um festival, é necessário que se constituam redes reais e virtuais, concretas ou simbólicas.
A imagem que um festival deixa é o retrato de um momento. Vejam: apesar das dificuldades financeiras que assustam todos os festivais do país, eles estão efervescendo na mesma proporção de nossa fotografia; ambos vivem um momento de euforia criativa, tendo superado as discussões em torno da transição do analógico para o digital e voltando a produzir e a refletir um conteúdo potente e diverso, como diverso o Brasil é. Experimentamos uma sensação de empoderamento do fazer cultural.
Por muito tempo, o oficio fotógrafo foi coisa que se aprendia no ateliê, na relação mestre-aprendiz — aqueles que sonhavam em ser fotógrafos entravam na fila à espera de um mestre que os acolhesse. Hoje, o repertório é criado pela soma de diversas frequentações — a leitura de um livro, a visita a galerias e museus, a sala de aula, o aprendizado em campus virtuais de blogues, youtubes e afins; e, é claro, os festivais, com sua multifacetada programação e seus inevitáveis efeitos colaterais, ou a grande ressaca que faz com que nos reinventemos até a próxima festa.
Ao chegar à décima edição, o Paraty em Foco assiste não só a uma fotografia transformada, mas também à transformação da plateia. Contingentes distintos e maiores, do Brasil e do exterior, mudam a textura do público e fazem do Paraty um festival internacional não apenas por seus convidados, mas também por seu público.
Do ponto de vista curatorial, Claudi Carreras vai para seu terceiro ano à frente das exposições do festival, completando um ciclo onde experimenta caminhos para uma fotografia mais pública, ocupando a cidade como galeria; isso fica evidente na energia que o curador coloca na convocatória do festival, que segue sua proposta de mapeamento da produção fotográfica e multimídia internacional, contando com o apoio de três indicadores ao redor do mundo — a pesquisadora russa Liza Faktor, o coletivo mexicano La Hydra e o curador brasileiro Eder Chiodetto.
As conferências e palestras mudaram de endereço: agora são apresentadas na Tenda da Multimídia e pelo segundo ano têm curadoria de Cassiano Elek Machado, que, à semelhança do ano passado, coloca maior foco na reflexão sobre a imagem e seus entornos e aponta a complexidade de vínculos das diversas fotografia presentes no festival.
Em nosso décimo aniversário, em um país em que um projeto cultural dificilmente sobrevive por dez anos, nossa melhor forma de comemorar é brindar a todos os festivais — e encontros de uma forma geral — que reúnem não só pensamento sobre a fotografia, mas o que há de mais essencial no ser humano, que é a convivência.

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