“Casas para botões, laços e tramas”
Vídeo, NTSC, 10”
Recebi de minha mãe uma sacola de vestidos usados por mim e minhas irmãs na nossa infância, que foram guardados desde então pela minha avó. Tentei vestí-los novamente. Não couberam. Tentei unir todos eles, abotoando uns aos outros para criar um único vestido com tamanho maior. Não deu certo. A infância não me cabe mais.
Assim como as vestimentas que usamos são temporárias e finitas, a infância nos escapa pelo passar do tempo. Invólucros do corpo, as vestes nos protegem da nudez, do frio, do sol e da chuva. Existe uma porosidade nas vestimentas. O que pode ou não passar por essa membrana? Lembranças, sentimentos, afetos? A partir do material físico e dessas questões surgem alguns trabalhos que derivam dos vestidos e da idéia de vestimenta. Em particular, o vídeo “Casas para botões, laços e tramas” mostra o processo de desabotoar, abotoar e tentar vestir aquilo que não me serve mais em seu estado original.