Assim como a vida, a morte é, sobretudo, uma questão política. Michel Foucault tratou da biopolítica, o cálculo que o poder faz sobre a vida, junto da tanatopolítica, cálculo do poder sobre a morte. Nas sociedades autoritárias, tanto quanto nas democracias nascentes, governos regulamentam pela pena de morte ou pela gestão da guerra o momento em que grupos ou populações inteiras devem morrer. A morte em escala industrial foi chamada no século XX de genocídio. No Brasil, e outros países pobres, a pena de morte é uma lei não escrita. O genocídio, dos crimes mais hediondos que a racionalidade humana pode conceber, está oculto na oculta pena de fome que atinge as populações enfraquecidas, sejam elas indígenas, negras, ou até mesmo populações de mulheres. Qual a lógica que está por trás disto que se tornou a nossa verdadeira "qualidade da vida"?

Com a filósofa e escritora Márcia Tiburi.

Gravado em Campinas, em 3 de outubro de 2008

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