Pra sentir o velho swing

Revista Carta Capital 7/03/2012

Por Tárik de Souza

No tempo do mítico Beco das Garrafas carioca, o indomável Edison “Maluco” Machado (1934-1990) ficou conhecido como “o inventor do samba no prato”. Quase sempre de terno, mascava um chiclete imaginário enquanto surrava com estilo a bateria. A despeito da suposta condição subalterna do ritmo, era esse ex-integrante dos grupos Bossa Três e Bossa Rio quem conduzia a orquestra na obra-prima do samba-jazz Edison Machado é Samba Novo, de 1964, recheada de ases como Moacir Santos, Paulo Moura, J.T. Meirelles, Raul de Souza, Tenório Junior, Tião Neto, Maciel e Pedro Paulo.

Curiosamente, é um baixista de São Paulo, Marcos Paiva, o recriador dessa atmosfera, 48 anos depois, em Meu Samba no Prato - Tributo a Edison Machado. À frente do MP6, formado além do líder baixista, por sax, trombone, trompete e piano, com o baterista Daniel de Paula na função de Edison, Paiva recria a atemporal Aquarela do Brasil e um clássico de protesto daquele ano, o do golpe militar, Acender as Velas, de Zé Keti.

As demais faixas, todas de nome Edison, numeradas como “opus” (2,3,5 e 6) parafraseiam temas do disco original e abrem-se a largos e orgânicos improvisos jazzísticos. A maior delas ultrapassa 16 minutos, mas não há firulas balofas, nem autoindulgência. A saudável e eletrizante tensão criativa onipresente no disco de Edison Machado também viceja na remontagem de Marcos Paiva, uma espécie de dissecação da peça anterior, tomada como ponto de partida. Seria como reiniciar um prédio inacabado – ou uma obra em progresso a partir dos sólidos alicerces de seus cânones.
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"Meu Samba no Prato - Tributo a Edison Machado" with Marcos Paiva MP6

Cited by music critics as one of the top musicians of the new crop of Brazilian music, contrabassist Marcos Paiva has recorded a homage to drummer Edison Machado - creator of "samba no prato" and one of the greatest references of samba-jazz.

The show, focused on new compositions written by Paiva for the tribute, is marked by vigorous improvisations and bold arrangements - a direct fruit of the energy that Edison Machado wielded with his drumsticks. The show evokes the famous Beco das Garrafas club in Rio de Janeiro, and the bars of Roosevelt Square in Sao Paulo in the 50s and 60s, where Brazilian instrumental music found its jazz expression. In this scenario, the vibrant Marcos Paiva Sextet - MP6 - make their way to somewhere new and contemporary.

Press:

“The healthy and exciting creative tension on the Edison Machado album of 1964, Edison É Samba Novo, is thriving in this revival tribute by Marcos Paiva, a type of dissection of the earlier album, or a springboard”.
Tárik de Souza for Carta Capital magazine - March 7 2012

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