O retrocesso ambiental do governo Dilma foi o alvo da Marcha à Ré, promovida pelo Movimento Brasil Pelas Florestas, com apoio da Escola de Ativismo, que ganhou a adesão dos mais variados militantes ambientalistas nesta segunda-feira, dia 18.

Cerca de 2 mil pessoas andaram de costas e protestaram no centro do Rio contra o evidente descaso do atual governo para com a agenda ambiental: Belo Monte, o novo Código Florestal, o desenvolvimentismo do PAC e das grandes obras, subsídios do BNDES para desmatadores, enfraquecimento do Ibama e revisão das demarcações de terras indígenas são apenas alguns dos motivos que reúnem tantos ativistas na indignação contra a política (des)ambiental de Dilma Rousseff.

Foi uma marcha com memoráveis momentos ativistas, alguns dos quais ganharam as telas da TV e as páginas dos principais jornais do país no dia seguinte (embora o enfoque, como de costume, tenha se direcionado para o engarrafamento causado pela marcha, deixando de lado uma discussão mais profunda a respeito das motivações do ato). A foto mais impactante mostrava uma “Dilma Dragão” cuspindo fogo e queimando o mapa do Brasil. Havia palhaços e índios-palhaços. Bolas coloridas jogadas para o alto. Personificação, com máscaras e fantasias, de “vilões” como Aldo Rebelo, Eike Batista e a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira. Gente levando flores. Muitas faixas e cartazes contra os ruralistas, o Código Florestal e Belo Monte. A favor da agricultura familiar. Dilma com nariz de Pinóquio. Um enterro cenográfico da política ambiental, com viúvas e caixão. Homenagem a Chico Mendes.

Desde os mais artesanais, escritos com pilot em cartolina, até os produzidos em maior escala, com layout bem pensado e impressão de qualidade. Quatro grandes faixas atravessavam as avenidas de lado a lado, demarcando a abertura e os diferentes subgrupos da Marcha. Vista “do alto”, foi uma manifestação colorida e apartidária, por isso simbólica da variedade dos grupos sociais ali representados. Não havia grandes grupos uniformizados de um único movimento ou partido. A espontaneidade, embora por vezes prejudicasse a coesão do ato (principalmente nos cantos e palavras de ordem, no geral pouco inspirados), conferiu força ao evento: o que se via e ouvia ali eram as vozes diversas da sociedade civil, já roucas de tanto gritar contra os abusos e desmandos do governo na área ambiental.

Virar de costas e marchar de ré esteve entre os momentos mais divertidos e originais. O movimento, porém, só poderia chegar à mídia em forma de vídeo. O “die-in” (todos deitados) em frente ao Teatro Municipal ganhou maior repercussão nas fotos dos jornais e sites.

A Escola de Ativismo fez uma pré-estreia de seus QR-Codes e fotos dos próprios participantes, acompanhadas da frase de Gandhi “Quando a multidão liderar, os líderes seguirão”. Quarta-feira, na Marcha da Cúpula dos Povos, tem mais!

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