Multi_04_2012 > Impressões Tributo à John
Cage

Anne Amberget, Antônio Ziviani, Tatiana Dumas, Marina Spoladore, Masako
Tanaka, Priscilla Azevedo – Piano preparado e percursões

Pedro Rebello e Claudio Dauelsberg – Composição e regência

Justin Yang – Design e criação visual

Batman Zavareze - Projeções

Tomas Barfod – DJ Set de

Fundado pelo compositor Claudio Dauelsberg, o Pianorquestra é um grupo formado por 7
pianistas e 1 percursionista que explora elementos étnicos das raízes brasileiras em interpretações
virtuosas, sem abrir mão da sensibilidade, delicadeza e lirismo, num repertório que contém samba,
coco, ciranda, repente, maracatu, entre outros ritmos tipicamente brasileiros mesclados com influências
mundiais contemporâneas.

Pedro Rebelo é pianista e diretor do Sonic Arts Research Center (SARC), centro de
pesquisa musical fundado pelo músico experimental alemão Karlheinz Stockhausen em Belfast, na
Irlanda do Norte.

A idéia da performance surgiu a partir de uma visita de Batman Zavareze, curador do
Multiplicidade, aos laboratórios e centros de estudo do S.A.R.C.. Ao discutir sobre a possibilidade de
uma apresentação no Multiplicidade, pareceu natural que fosse uma homenagem ao centenário de
nascimento do compositor americano John Cage.

O PianOrquestra seguiu a risca as famosas bulas de piano preparado de John Cage, desconstruindo a
figura do piano como somente um instrumento melódico e limitado dentro de uma determinada escala
musical. Com luvas, baquetas, palhetas de violão, fios de náilon, sandálias de borracha, peças de
metal, madeira, tecido e plástico, o grupo passou executar diversos timbres e sonoridades produzidos
pelo instrumento de acordo com a regência de Pedro Rebelo e de Carlos Dauelsberg.

A apresentação fez um passeio pelas idéias e proposições de John Cage, suas intervenções no
mundo da música, seu legado e pensamentos sobre som e silêncio em aproximadamente 60 minutos,
onde o grupo intercalava nos dois pianos preparados algumas composições do mestre e de outros
artistas influenciados por ele.

Totalmente inédita foi a apresentação do sistema de partituras criada pelo designer Justin Yang,
cuja composição era feita ao vivo por Pedro e representada em tela por meio de grafismos a serem
interpretados pelos músicos do PianOrquestra totalmente através de improviso. Cada cor e andamento
de determinada objeto representado em tela significava um movimento de determinado pianistra do
grupo.

Homenagear a importância e o papel de John Cage para a história da música e do Multiplicidade
não foi uma tarefa fácil, mas essa delicada apresentação mostrou que o autor está cada vez mais
presente na música contemporânea, ultrapassando somente o aspecto sonoro. Cage é fundamental
para entender não só para entender a pesquisa musical contemporânea, mas seu pensamento sobre o
silêncio, o som e o barulho continuam sendo de vanguarda até hoje, 100 anos após seu nascimento.

A difícil tarefa de entreter um público que saía da experimentalidade da performance para a festa de
encerramento ficou para Tomas Baford, DJ dinamarquês e baterista da banda WhoMadeWho. Em
um dos dias mais lotados do Festival Multiplicidade, Tomas colocou o Oi Futuro pra dançar, embalado
a temas de indie rock e o house europeu.

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