A folha em branco não cabia. Não estava pronta ao começo. Precisava esvaziar. Nasceram
verdes de muitas cores. Até o pregador que segurava o papel sobre o cavalete de pintura
improvisado precisava ser colorido. Depois, uma das crianças dá o tom. Um verde musgo mais
escuro que os outros entra em cena, desfigurando a forma e abrindo espaço ao novo movimento.
Foram editadas duas versões. A primeira evidencia um ápice, momento em que uma criança
precisa deixar claro para todos, que ela fazia aquilo que nos proporcionava tanto delírio... as
enormes e redondas iniciais dos nomes dos autores bem marcadas sobre o que se pintava. Mas de quem é a autoria? Quem disse que nossos pequenos delírios cotidianos, gotas de suor, podem ser chamados de obra? Não foram os pedreiros. Será que as educadoras, aquela que carregou e
estruturou, aquela que manteve a cor, aquela que trouxe o tripé e escolheu um lugar fixado na
filmadora, aquele que lembrou de entrar no vídeo através do zoom, aqueles que depois secaram o
papel em gotas e limparam a sujeira (?), a professora que ensinou a olhar o papel em branco e
assinar o nome, não seríamos todos autores de um instante?

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