Sob a regência de Yan Pascal Tortelier, regente convidado de honra entre 2012-13, a Orquestra ensaiou nesta manhã a obra "Stabat Mater" de Gioacchino Rossini ao lado dos solistas brasileiros Rosana Lamosa (soprano), Carolina Faria (contralto), Luciano Botelho (tenor) e Savio Sperandio (baixo).

"Rossini não teve como se esquivar quando Fernández Varela [um dos príncipes da Igreja Espanhola, arquidiácono de Madri] encomendou oficialmente uma obra de cunho religioso. O acordo entre ambos previa que, após a primeira execução pública, o manuscrito retornaria aos arquivos do arquidiácono e jamais seria publicado. Como pagamento, Rossini recebeu, em vez de dinheiro, uma caixa de rapé feita toda de ouro e generosamente recoberta de diamantes. Varela pediu a Rossini que musicasse — como antes dele haviam feito Palestrina, Pergolesi, Scarlatti, Vivaldi e Haydn, e como Dvorák faria depois — o texto da sequência litúrgica Stabat Mater Dolorosa, escrita no século XIII pelo poeta e frade franciscano Jacopone da Todi. O poema, que descreve a dor de Maria ao ver seu Filho crucificado, é o equivalente literário da Pietà de Michelangelo.
Rossini concebeu seu Stabat Mater em 12 partes, com execução confiada a quatro solistas (tenor, soprano, mezzo soprano e baixo), coro e orquestra. O arquidiácono esperava que a estreia acontecesse ainda na Páscoa de 1831, mas viu suas expectativas frustradas. Rossini, cujo estado de saúde não era bom, acabou estendendo o trabalho de composição até 1832, e mesmo assim escreveu de próprio punho apenas seis números. Os trechos restantes foram compostos discretamente, a pedido de Rossini, por seu grande amigo Giovanni Tadolini.
O Stabat Mater original estreou finalmente na capela privada do arquidiácono na Sexta-Feira Santa de 1833.
Quando Varela morreu, em 1837, o manuscrito acabou sendo vendido pelos herdeiros e, em 1841, acabou nas mãos do editor parisiense Antonin Aulagnier, que se dispôs a publicá-lo, contrariando frontalmente tudo aquilo que havia sido combinado entre Varela e Rossini. Este, irritado e temeroso de que viesse a público o fato de a obra não ter sido totalmente composta por ele, resolveu rever a partitura. Compôs novamente os trechos assinados por Tadolini, reduziu a peça para dez números e apressou-se a vender os direitos para seu editor, Eugène-Théodore Troupenas, enquanto tentava, judicialmente, impedir a edição de Aulagnier. Após um longo processo, Rossini obteve uma vitória parcial: Aulagnier poderia publicar apenas os trechos compostos por Tadolini. A versão definitiva do Stabat Mater rossiniano, em dez partes, estreou a 7 de janeiro de 1842 no Théâtre Italien de Paris, com alguns dos maiores cantores líricos do momento: a soprano Giulia Grisi, a mezzo Emma Albertazzi, o tenor Mario di Candia e o baixo Antonio Tamburini. A primeira execução italiana, em março do mesmo ano, em Bolonha, teve no pódio, a pedido de Rossini, ninguém menos do que o compositor Gaetano Donizetti." Trecho da nota de programa de Sergio Casoy publicada na 6ª edição da Revista Osesp 2013.

A obra será apresentada nos concertos desta quinta e sexta, 21h, e sábado, 16h30. O programa inclui ainda a "Sinfonia dos Salmos [1930 - rev. 1948] de Igor Stravinsky. Saiba mais sobre o concerto: osesp.art.br/portal/concertoseingressos/concerto.aspx?c=2573

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