No princípio de tudo. No princípio do mundo. No princípio do amor, todas as coisas eram somente um borrão de tinta sobre uma folha caída no chão. E cabiam no profundo, sob a superfície de mãos sujas de substâncias carregadas de Arte e dentro de olhos escuros, imersos em lágrimas que não querem cair. Mas caem.
Não caem. Suicidas não caem de terraços ou janelas de prédios. Eles voam. Chegam ao céu quando chegam ao chão. Os apaixonados é que caem. Dia a dia, lembrança a lembrança. Fogo a cinzas, sorrisos a enchentes. Levados pela água suja. Águas passadas. Olhos que carregam ao mesmo tempo desprezo e afeição. Tudo leva ao terror. E no meio do caminho, em volta do borrão, houve espinhos e sangue. Mas tudo ainda estava nublado.
Não adianta ter medo. E nos perder numa impossibilidade assim. Não quero pedidos de calma. Nem cartas de desamor. Vou pular da janela dos seus olhos. A janela mais bonita de todo o universo. E sentir o vento passando pelos meus cabelos. E a liberdade infinita de fugir daqui. Já dói ainda mais do que antes. E o borrão já são pétalas. E os espinhos já se despediram enfim. O vermelho já nem é vermelho mais. Diluído em emaranhados selvagens de um jardim.
Haviam cordas, tambores, vozes e mãos. Os músicos fizeram a minha canção e eu morri afogado(a) em mais um gole de rum. Quando eu pedi mais uma dose, na verdade eu pedi mais, de nós.
E havia a fumaça.
E dizem por aí que a bebida transbordava porque o copo já estava cheio. Cheio disso. E desde então cabiam mais sentimentos, eventos e flores nele do que nunca antes.
Era sobre rodoviárias que eu ia falar, na verdade. Era sobre esses amores nascendo, morrendo e se pondo nas plataformas.
Era sobre uma fuga que eu ia falar. Sobre rosas sem espinhos, que deveriam ter espinhos. Sobre roseiras enormes e selvagens que são plantadas tortas e nascem mesmo assim.
Você me perguntou por telefone sobre o que eu queria dizer e eu pensei em te escrever um livro. Ou um filme. Deu ocupado.
E eu posso dizer... Se este for o meu último ato, é no próximo toque dessa música que nem mesmo as rosas vão me bastar.

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