1. Essas imagens são registros de alguns momentos das ocupações de abrigos que vivenciei junto com A. Korsett durante uma viagem em bicicleta pela América do Sul . A necessidade de proteção do frio ou vento aliada à apreciação em comum por esses lugares decadentes, abandonados nos trouxe essas situações. Eram para nós exploradores de ermas paragens um templo lúdico de descanso.
    Com o aumento das intempéries ficamos mais audaciosos, mais persistentes e ainda mais atraídos à esses lugares. Como piratas seguíamos desejando avistar uma 'vítima' a fim de passar uma noite mais cômoda (o conceito de comodidade aqui significa ter paredes e com sorte um teto de bloqueio, para não cozinhar sob a chuva ou ao vento de 80km/hr e não ter os dedos congelados pela manhã).
    Ao encontrar um lugar que poderíamos habitar era necessário fazer uma investigação detalhada. Quando havia alguém por perto pedíamos autorização para ficar, se não houvesse ninguém e o lugar estivesse aberto entrávamos. Algumas vezes os encontramos fechados, se também abandonados e apresentando pouca resistência, então invadíamos.
    Verificávamos se estava ocupado por outra pessoa, se tinha sinais recentes de passagem ou se oferecia algum risco (desabamento, inundação). Essa investigação ‘técnica’ logo se dissolvia em uma investigação lúdica de tudo que podíamos encontrar no lugar. Às vezes me perdia por muito tempo vasculhando os cômodos empoeirados, os objetos, lendo os rabiscos nas paredes, cadernos de anotações, encontrando vidrinhos de estricnina e bolsas de colostomia. Despertava quando ouvia o som da vassoura improvisada, Korsett também investigava mas quase sempre iniciava a limpeza do local onde colocaríamos a barraca. Nosso trato com os resíduos foi muito presente e direto - entre eles estavam desde restos de comida, objetos interessantes até bichos mortos e excrementos humanos...- juntávamos roupas espalhadas e coisas que estavam no nosso caminho, o lixo deixado por outras pessoas também era recolhido.
    Todos esses preparativos eram para passar uma noite no lugar e depois abandoná-lo ao tempo ou talvez à outro viajante necessitado. Em razão da efemeridade da ação de arrumar e de nossa estadia, nomeei essas passagens de Ocupações Instantâneas.
    Nessas imagens os lugares e seus sons são os atuantes. Meu estado de relaxamento e a aparente imobilidade do ambiente me permitiam observar o simples, seus detalhes: percebia como a luz entrava e os elementos que se iluminavam transmitindo uma pulsação especial, e também me dava conta dos pequenos fenômenos cotidianos que ali aconteciam –que para mim eram espécies de códigos que eu entendia como um pedido para serem fotografados ou filmados; eles sinalizavam que deviam fazer parte do meu jogo mental.
    Abrigos de pastores de ovelha na Terra do Fogo, ruínas próximas ao Rio Leona em Stª Cruz, o parador abandonado ‘ La Laurita’ pela ruta 40, igualmente na Argentina e uma casa em construção no pequeno povoado de Negro Mayo no Perú estão entre as ocupações presentes no vídeo.
    Hilda tem sua casa, seu marido e seu gato. Nós temos as têmporas ao sol.

    # vimeo.com/35142023 Uploaded 309 Plays 1 Comment

Curtas

Ed de Vortex

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