Cinema

SINOPSE:
Um dia de liberdade após alguns anos preso é um respiro na vida de Norberto. Para sentir esta breve sensação, ele aproveita esse momento madrugada adentro. Mas um criminoso passeando pela cidade pode atrair olhares indesejados. Esta é a jornada de um prisioneiro em liberdade provisória caminhando em direção ao vazio.

CRÍTICA:
Infrator (2013), dirigido por Gustavo Serrate e Rodrigo Luiz Martins, conta a história de uma noite na vida de um homem durante o saidão da papuda. O clima de infração começa pela estética da fotografia, que remete de certa forma à câmera de vigilância, e logo intensifica a sensação de uma liberdade monitorada e a certeza de que alguma coisa ruim vai acontecer. Norberto (Josuel Junior), não carrega nada além do indulto provisório e só tem uma certeza, que quer permanecer do lado de fora. A narrativa embora sombria tem momentos de introspecção e poesia, o que equilibra bem a história.

Embora os indícios apontem contra o infrator, a violência é praticada por uma gangue reconhecida pelo símbolo de um corvo. O ponto de ônibus é parte importante para o desenrolar da trama, é lá que Norberto conhece Ellen (Virna Smith). Quando um carro suspeito se afasta deles a luz do farol cega o espectador, para talvez anunciar a vulnerabilidade das personagens expostas ali naquele local. A primeira coisa que você espera é que ele vá fazer algum mal a ela, mas em alguns segundos essa expectativa do que seria óbvio dá lugar a uma intrigante relação de confiança entre os dois. Em momento algum ele comete um ato violento, o que normalmente se esperaria de um homem condenado numa situação de pressão. As nuances apresentadas pelo personagem tornam inegável a credibilidade do ator principal.

As cenas da narrativa em off revelam muito sobre o infrator. Funcionam para explicar e estabelecer justificativas para outros pontos da narrativa, como por exemplo a escolha pela auto-preservação. Encontrar poesia na figura do que seria o "vilão" na sociedade arranca do espectador qualquer sensação de uma história previsível e cheia de já vi antes. Para quem conhece Brasília, a localização das personagens se embaralha aumentando no espectador a sensação de desconforto e confusão, em que Norberto e Ellen estão inseridos. Os questionamentos de Norberto e a situação de não pertencimento, de passagem, de liberdade efêmera, dão diferentes tons à violência.

Por Gabriela Miranda

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