1. Hierarquia – conversas depois do fim de um mundo é um documentário em longa metragem produzido por Mário Salimon e que envereda pelas ideias do filósofo Augusto de Franco e do “emaranhado” de pessoas com que ele convive. Neste filme de cerca de hora e meia, discutem-se temas oportunos e quentes como escolarização, democracia, redes, autocracia e, é claro, o papel da hierarquia no tecido da sociedade.

    A ideia de produzir um filme sobre as ideias de Augusto de Franco vinha fermentando há vários anos, dado o fato de eu vir acompanhando seu trabalho desde que trabalhamos juntos no Conselho da Comunidade Solidária. Do delineamento de políticas de desenvolvimento local sustentável, lá por 1999, até os posts seminais sobre democracia e redes da atualidade, são 15 anos de uma abordagem séria e científica, que merecia ser conhecida. Apresentar tal trajetória em um documentário seria uma forma muito eficiente de oferecer um ponto de entrada para temas que, em texto, podem parecer de difícil digestão.

    Assim, foi com alegria que, na esteira de minha premiação na Mostra Brasília, em 21012, o próprio Augusto deu a ideia de fazermos um filme sobre a tríade de publicações Fluzz, Small Bangs e Hierarquia. Minha ideia inicial era de documentar a vida, as origens e processos dessa mente prodigiosa, mas cedi aos argumentos dele e entendi que a pessoa (emaranhado formado por ele e aqueles com quem convive) seria bem mais interessante que o indivíduo Augusto de Franco.

    A ideia central discutida no filme é a existência de um padrão de organização – a hierarquia – que, mais do que imposto pela força, é assimilado naturalmente pelas pessoas ao longo de um processo de 8 mil dias de bitolação nos meios familiar, escolar, militar, político e laboral. Esse padrão reforçaria um modelo de comando e obediência em que a autocracia se firmaria como modo operante. Não haveria espaço verdadeiro para a democracia nesse contexto. A mudança traria sempre novos autocratas e não mais distribuição de poder.

    Decidi, uma vez mais sem apoio financeiro externo, partir para uma empreitada difícil mas muito recompensadora: começar um longa-metragem que pudesse retratar a riqueza do momento vivido por um grupo de amigos que foi se conhecendo, ao longo dos anos, por compartilhar interesse pelo tema das redes. A busca é permanente e as elucubrações não morrem na teoria (embora essa seja sempre muito seriamente tratada). Essa gente experimenta novos modelos e os vive intensamente. Não estão falando por falar, por um palco no disputado mundo das palavras. Realmente, acreditam no que dizem.

    Em janeiro de 2013, tomei um avião até São Paulo com minha tralha cinematográfica e passei quatro dias gravando com Augusto e seu emaranhado. Foram entrevistas estruturadas (que predominam no filme) e conversas soltas costuradas ao redor de mesas com café, queijo e muito cigarro. Também andamos pelas redondezas da casa situada na esquina da Pedroso de morais com a pracinha Ernani Braga. A Vila Madalena tem mais encantos que os bares, como vimos na Praça das Corujas e no Parque Linear.

    São esses os elementos, somados a entrevistas complementares feitas posteriormente em São Paulo e Brasília, que deram a base para o longa, essencialmente uma costura minuciosa de conversações.

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claudia amaral

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