1. Desde sua independência da França em 1954, o Camboja tem sido um país de inquietações.

    De um período de crescente corrupção e instabilidade que se estendeu até 1970, quando o Rei Norodom Sihanouk foi deposto por Lon Nol, até a tomada da capital Phnom Penh pelo movimento revolucionário Khmer Vermelho em 1975, a situação do país evoluiu para um processo de reestruturação social e guerra civil sem precedentes.

    Sob o pretexto de transformar o Camboja em uma cooperativa agrícola comunista, o Khmer Vermelho, liderado por Pol Pot, obrigou toda a população urbana – inclusive doentes, idosos e deficientes – a migrar para zonas rurais e trabalhar como escrava em jornadas de 12 a 15 horas por dia. O regime foi marcado por torturas, humilhações, isolamento e fome. Iniciou-se também um processo sistemático de execução de líderes, intelectuais, empresários e opositores. O massacre – que perdurou até 1979, com a expulsão do Khmer Vermelho da capital Phnom Penh por tropas do Vietnã – resultou na morte de aproximadamente 2 milhões de pessoas.

    As implicações desta brutalidade ainda existem hoje e continuarão a se manifestar por muitos e muitos anos. O segmento da sociedade então responsável pelo progresso do Camboja foi totalmente exterminado, deixando o país nas mãos de pessoas sem qualificações para assumir as rédeas da reconstrução e do desenvolvimento do país.

    Depois de tomar conhecimento dessa história por meio de um amigo da Malásia (que dirigia uma ONG com diversos centros espalhados pelo Camboja), fiquei instigado a viajar até lá para realizar um documentário que tivesse como objetivo investigar o impacto desse processo histórico na população cambojana nos dias de hoje. Decidi focar principalmente naqueles que eram literalmente os filhos do Khmer Vermelho – ou seja, jovens nascidos pouco antes do final do regime ou logo após o seu fim.

    Desde o início, sabia que não queria fazer um documentário histórico sobre o Camboja, que abraçasse todo o seu passado. Estava mais interessado em fazer um filme sobre pessoas. Acabei estruturando o projeto como um documentário mais intimista sobre quatro jovens que selecionei logo que cheguei ao Camboja, e que carregavam características representativas daquele universo.

    O resultado foi o documentário em formato televisivo “Grassroots” (2006), com 55 minutos de duração, que pode ser assistido aqui na íntegra. O filme foi exibido em emissoras de TV de diferentes países, como o Irã, por exemplo.

    A captação foi feita em suporte digital: Panasonic DVX100 (câmera principal) e Sony VX2000 (segunda câmera).

    Créditos
    Roteiro, Direção, Produção, Edição: Andre Ferezini
    Produção Executiva: Marcelo Godoy
    Fotografia e Câmera: Rodolfo Figueiredo
    Som Direto: Silvio Da-Rin
    Assistente de Som Direto: Phon Siden
    Produção (Brasil): Davi Moori, Paulo Chamlian, Pedro de la Fuente
    Locução: Paulo César Peréio
    Coordenação de Produção (Sudeste Asiático): Raj Ridvan Singh, Dhinu Dhanveer Singh
    Produção (Sudeste Asiático): Ros Saron, Say Ranny, Prom Leakna, Rorm Reaksmey, Uy Nousereimony
    Tradutores: Say Ranny, Uy Nousereimony, Ros Saron
    Direção de Arte (letreiros): Carla Sarmento
    Design de letreiros: Daniel Paulo Barros
    After Effects: Nilton Fernandes, Lucas Ribeiro
    Cartaz e Materiais Gráficos: Fernando de Almeida
    Pesquisa de Material de Arquivo: Simon Toffanello, Michael Gillich / Monsoon Pictures Cambodia
    Imagens de Arquivo: The Documentation Center of Cambodia, Tuol Sleng Genocide Museum, National Archives of Cambodia
    Finalização de áudio e Trilha Sonora: Guga Bernardo, Marco Boaventura / Trilha Original
    Color Correction: Estudios Mega
    Assistente de Pós-Produção: Juliano Nunes "Grafite"
    Produtoras: Biokam Produções + NewTV

    # vimeo.com/30219549 Uploaded 1,725 Plays 5 Comments

Documentários Históricos

Otaciana De Oliveira

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